Perturbações alimentares: Avaliação da incidência, factores de risco e programa de intervenção terapêutica

As perturbações alimentares (anorexia e bulimia) são problemas psicopatológicos sérios que afectam principalmente as mulheres jovens. Ambos os quadros clínicos são relativamente comuns e apresentaram uma tendência para o aumento da sua incidência ao longo dos anos 90. Estudos realizados sobre a prevalência de perturbações em vários países Europeus apresentam dados de admissão hospitalar de aproximadamente 5 por cada 100 000 habitantes (COST B6, 1995). Investigações com populações de risco – habitualmente estudantes – estimam uma frequência de 10% para bulimia nervosa e aproximadamente 1% para anorexia nervosa. Alguns estudos revelaram uma incidência bulimia de até 19% junto de populações de estudantes universitárias femininas (Hoek, 1995).

Dada a importância desta problemática foi organizado uma linha de acção do COST (Cost B6 – Efficient psychotherapy of eating disorders). O presente projecto, integrado na referida linha de acção, pretende fazer um primeiro estudo destas perturbações numa população portuguesa, considerada de risco: a população universitária. Neste sentido, este estudo tem como objectivos: (1) avaliar a incidência de perturbações alimentares junto de uma população de mulheres universitárias; (2) desenvolver um manual de tratamento em grupo de perturbações alimentares; (3) avaliar a eficácia do referido manual no tratamento das perturbações alimentares de mulheres jovens; (4) avaliar a relação entre esforço terapêutico e sucesso terapêutico; (5) identificar factores que influenciem o prognóstico favorável no tratamento; (6) investigar o curso das perturbações alimentares e identificar os factores de risco para recaída.

Durante o primeiro ano do projecto foi: (1) levado a cabo a adaptação dos instrumentos da bateria standard da Acção B6 do COST e dos procedimentos de recolha de dados; (2) efectuado um estudo epidemiológico da incidência de perturbações do comportamento alimentar junto de uma amostra representativa da população de um campus universitário; (3) desenvolvido um programa de tratamento psicoterapêutico, manualizado, para intervenção em grupo junto de indivíduos com perturbações alimentares. No segundo ano do projecto foi: (1) efectuado o treino clínico dos terapeutas que liderarão os grupos; (2) efectuada a avaliação do processo e resultados terapêuticos da intervenção junto de grupos de pacientes com diagnóstico de perturbação alimentar. Os resultados obtidos foram partilhados pelos investigadores dos 19 países que integram o COST B6.

Financiamento: Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica  –  € 22.197,00

PRAXIS/PCSH/P/PSI/85/96

Duração: Maio 1997 – Dezembro de 2000